O Brasil parou no tempo: a eliminação para a Noruega escancara uma Seleção sem identidade
Mais uma Copa do Mundo. Mais uma eliminação dolorosa. Mais um europeu encerrando o sonho brasileiro antes da hora.
A derrota por 2 a 1 para a Noruega nas oitavas de final não ficou marcada apenas pelo brilho de Erling Haaland. Ela expôs, mais uma vez, uma Seleção Brasileira que parece distante da camisa que veste.
O torcedor assistiu aos 90 minutos com um sentimento que mistura frustração, incredulidade e cansaço. Não porque o Brasil não criou oportunidades. Pelo contrário. O problema foi desperdiçar todas elas.
O primeiro golpe veio cedo, quando a arbitragem marcou pênalti para o Brasil. Era o momento perfeito para controlar a partida e obrigar a Noruega a sair para o jogo.
Mas veio a surpresa.
Bruno Guimarães assumiu a cobrança.
A decisão levantou questionamentos imediatos. Em um elenco que conta com Vinícius Júnior — acostumado à pressão dos maiores palcos do futebol mundial e Neymar, maior cobrador da geração brasileira, por que justamente Bruno foi o escolhido?
A cobrança fraca acabou defendida pelo goleiro norueguês e mudou completamente o rumo da partida.
Se o pênalti perdido já machucava, o segundo tempo conseguiu ser ainda mais cruel.
Endrick entrou para incendiar o ataque e recebeu uma oportunidade que qualquer atacante sonha ter. Livre, cara a cara com o goleiro, acabou desperdiçando uma chance praticamente feita.
Em Copas do Mundo, detalhes decidem histórias.
E o Brasil desperdiçou detalhes demais.
Do outro lado estava Haaland.
Enquanto a Seleção brasileira precisava de várias oportunidades para assustar, o atacante norueguês mostrou por que é considerado um dos melhores centroavantes do planeta. Bastaram duas chances claras para definir a classificação da Noruega.
Foi o retrato perfeito do jogo.
De um lado, eficiência.
Do outro, desperdício.
Mais preocupante do que a eliminação é perceber que ela deixou de ser exceção.
A queda diante da Noruega representa a sexta eliminação consecutiva do Brasil para uma seleção europeia em Copas do Mundo. França, Holanda, Alemanha, Bélgica, Croácia... e agora Noruega.
A sensação é de que o futebol brasileiro continua tentando vencer como fazia vinte anos atrás, enquanto o restante do mundo evoluiu física, tática e mentalmente.
Falta organização.
Falta intensidade.
Falta personalidade.
Mesmo com nomes talentosos espalhados pelos maiores clubes da Europa, a Seleção segue parecendo um conjunto de estrelas que raramente funciona como equipe.
Nem mesmo a entrada de Neymar nos minutos finais conseguiu mudar o roteiro. O camisa 10 ainda converteu um pênalti nos acréscimos, mas o gol serviu apenas para diminuir o placar e aumentar o sentimento de que o Brasil acordou tarde demais.
Agora resta a reflexão.
O talento individual continua existindo.
Vinícius Júnior, Endrick, Rodrygo, Bruno Guimarães e tantos outros representam uma geração promissora. Mas futebol moderno exige muito mais do que nomes de peso.
Exige projeto.
Exige identidade.
Exige uma equipe.
Porque, enquanto o Brasil continuar dependendo apenas do brilho individual, seguirá vendo seleções organizadas transformarem pequenas oportunidades em grandes eliminações.
E, para um país que já levantou cinco Copas do Mundo, a maior dor talvez nem seja perder.
É perceber que a derrota já deixou de surpreender.
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